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| Congresso aplaudindo depois que Marechal Castelo Branco é eleito |
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| Paulo Evaristo Arns, ao lado de militares |
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| Presidente da OAB, 1964, Carlos Povina |
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| Roberto Marinho, presidente da Globo |
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| Sarney um dos apoiadores dos militares e primeiro presidente civil após o regime |
Às vésperas dos 55 anos do fato histórico conhecido como Golpe Militar de 64, ganha substância uma corrente crítica à principal tendência da historiografia sobre o período. A história da ditadura que ainda permanece hegemônica no Brasil, parece que com o novo governo, passará por um processo de recontação da história. É verdade que numa narrativa contra-hegemônica, permite-se entender por que determinados personagens da velha política perdem seu protagonismo como apoiadores do novo regime? Parte desta história está guardada na memória do Arquivo Nacional e em certa medida pela Comissão Nacional da Verdade. Políticos se recusam a considerar a ditadura, como uma aspiração da sociedade brasileira daqueles dias o que mostra que ela não foi imposta de cima para baixo e enfatiza, que esse discurso quase que exclusivamente louvando a resistência à ditadura, perde cada vez mais espaço.
Segundo, um desses historiadores o professor da UFF, Daniel Arão Reis, em seu livro(Ditadura e democracia no Brasil, editora Zahar), passeio pela história e conta que Ulysses Guimarães, por exemplo, que era um referência e uma grande figura da resistência democrática, inclusive chamado de “Senhor Diretas” e presidiu a Constituinte foi um dos apoiadores da Marcha da Família com Deus pela Liberdade e apoiou o golpe de 1964. Segundo Daniel, ele(Ulysses) fez parte da comissão do Congresso que tentou elaborar o primeiro Ato Institucional, mas os militares não gostaram e assumiram a responsabilidade.
Para Daniel Arão, o golpe, “não foi um raio que desceu de um céu sem nuvens”: Jango “estava atolado, sem projeto, pilotando a olho nu a crise do país” – inflação de 80%, crescimento pífio em 1963 etc, gerando crescente insatisfação popular; e, já às vésperas do 31 de março: “Jango não queria dar ordens, estava apavorado diante do incêndio que ajudara a provocar, horrorizado com a hipótese de uma guerra civil que não desejava”. Segundo o autor do livro, conhecemos (escolhemos conhecer?) apenas uma parte da História, o que não deixa de ser uma forma de falsificá-la. O fato é que amplos segmentos da população apoiaram o golpe de 1964 – ao qual praticamente não houve resistência. O autor não se cansa de fazer ponderações importantes que desconstroem a narrativa hegemônica do Golpe exclusivamente militar, quando na verdade, seus apoiadores foram a sociedade civil, políticos, Ordem dos advogados, religiosos e grandes veículos de comunicação.
Depois de 35 anos de fora do maior posto de comando do país e das esferas de governança, os militares retomam o poder, desta vez, pelo instrumento democrático do voto, e isso acabou esbofeteando os políticos civis que ao longo da história, contaram apenas um lado, o da resistência, um recurso político legítimo na época, porque eles queriam isolar a ditadura e jogar apenas na conta dos militares. Essa ideia inicial, politicamente legítima, vai sendo incorporada por todos que migram de uma posição de tolerância ou cumplicidade ativa com a ditadura para as oposições, até porque o regime militar passa a reagir às ações violentas de grupos extremista de esquerda e acaba acontecendo à onda de violência, que mais tarde é a carta nas mangas das forças de esquerda para desconstruir a imagem dos generais. Com razão, a contra-reação dos milicos, queimou o seu filme até hoje, como também está queimado o dos regimes comunistas espalhados pelo mundo que utilizaram dos mesmos expedientes para implantar e mantê-los. Como uma grande ironia, a história recente absolve os militares e condena os políticos civis que ao longo desses 35 anos, perpetuaram-se no poder, saqueando a nação e sendo odiados. Parece-nos que o termômetro de 55 anos atrás marca a mesma temperatura política de hoje, só que desta vez as vozes que gritam por um golpe são das instituições democráticas viciadas na corrupção que promovem a instabilidade entre os poderes para instigar uma intervenção das forças armadas, e assim sendo, legitimar o discurso dos politiqueiros que gritavam que os militares promoveriam um regime autoritário nos moldes antigos.
Assim, nos espanta essa vaidade exagerada da nossa classe política que não aceita que foram rejeitados pelo povo e que o melhor que podem fazer é defender os interesses da nação em detrimento dos seus interesses e quem sabe , esses mesmos, terão uma segunda chance de mostrar, que aprenderam a lição.
Segundo, um desses historiadores o professor da UFF, Daniel Arão Reis, em seu livro(Ditadura e democracia no Brasil, editora Zahar), passeio pela história e conta que Ulysses Guimarães, por exemplo, que era um referência e uma grande figura da resistência democrática, inclusive chamado de “Senhor Diretas” e presidiu a Constituinte foi um dos apoiadores da Marcha da Família com Deus pela Liberdade e apoiou o golpe de 1964. Segundo Daniel, ele(Ulysses) fez parte da comissão do Congresso que tentou elaborar o primeiro Ato Institucional, mas os militares não gostaram e assumiram a responsabilidade.
Para Daniel Arão, o golpe, “não foi um raio que desceu de um céu sem nuvens”: Jango “estava atolado, sem projeto, pilotando a olho nu a crise do país” – inflação de 80%, crescimento pífio em 1963 etc, gerando crescente insatisfação popular; e, já às vésperas do 31 de março: “Jango não queria dar ordens, estava apavorado diante do incêndio que ajudara a provocar, horrorizado com a hipótese de uma guerra civil que não desejava”. Segundo o autor do livro, conhecemos (escolhemos conhecer?) apenas uma parte da História, o que não deixa de ser uma forma de falsificá-la. O fato é que amplos segmentos da população apoiaram o golpe de 1964 – ao qual praticamente não houve resistência. O autor não se cansa de fazer ponderações importantes que desconstroem a narrativa hegemônica do Golpe exclusivamente militar, quando na verdade, seus apoiadores foram a sociedade civil, políticos, Ordem dos advogados, religiosos e grandes veículos de comunicação.
Depois de 35 anos de fora do maior posto de comando do país e das esferas de governança, os militares retomam o poder, desta vez, pelo instrumento democrático do voto, e isso acabou esbofeteando os políticos civis que ao longo da história, contaram apenas um lado, o da resistência, um recurso político legítimo na época, porque eles queriam isolar a ditadura e jogar apenas na conta dos militares. Essa ideia inicial, politicamente legítima, vai sendo incorporada por todos que migram de uma posição de tolerância ou cumplicidade ativa com a ditadura para as oposições, até porque o regime militar passa a reagir às ações violentas de grupos extremista de esquerda e acaba acontecendo à onda de violência, que mais tarde é a carta nas mangas das forças de esquerda para desconstruir a imagem dos generais. Com razão, a contra-reação dos milicos, queimou o seu filme até hoje, como também está queimado o dos regimes comunistas espalhados pelo mundo que utilizaram dos mesmos expedientes para implantar e mantê-los. Como uma grande ironia, a história recente absolve os militares e condena os políticos civis que ao longo desses 35 anos, perpetuaram-se no poder, saqueando a nação e sendo odiados. Parece-nos que o termômetro de 55 anos atrás marca a mesma temperatura política de hoje, só que desta vez as vozes que gritam por um golpe são das instituições democráticas viciadas na corrupção que promovem a instabilidade entre os poderes para instigar uma intervenção das forças armadas, e assim sendo, legitimar o discurso dos politiqueiros que gritavam que os militares promoveriam um regime autoritário nos moldes antigos.
Assim, nos espanta essa vaidade exagerada da nossa classe política que não aceita que foram rejeitados pelo povo e que o melhor que podem fazer é defender os interesses da nação em detrimento dos seus interesses e quem sabe , esses mesmos, terão uma segunda chance de mostrar, que aprenderam a lição.
Referências:
SETTI, Ricardo (11 de
outubro de 2010).<50 anos do Golpe de 64: Eu vi JK votar no Castello para depois ser cassado>(Capítulo 1). Blog Veja. Consultado em 24 de junho de
2017
A ditadura militar no Brasil - A história em
cima dos fatos. Fascículo 1. São Paulo: Editora Caros Amigos, 2007. p.
25. ISBN 978-85-86821-77-6.
REIS, Daniel Arão, Ditadura e Democracia no Brasil, do Golpe de 1964 à Constituição de 1988, 1ª Edição, 2014, Rio de Janeiro, Editora Zahar.





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